sábado, março 14, 2009

te vejo quando puder

Vontade de fechar os olhos e senti a pontinha do seu nariz
No meu rosto
E depois quando abri-los vê o seu sorriso no canto da boca.
Vontade de não ter nada pra fazer com você
Mastigar seu chiclete sem açúcar
E até comer a folha do pé de pitanga da casa da mulher chata
Só pra vê você esperando se gosto do suposto gosto delicioso
Que não sinto.
Vontade de voltar pra casa de mãos dadas
de te beijar antes de atravessar a rua
e depois de alguns minutos olhar você já distante
com seu passo despreocupado.
vontade de te chamar pra comprar bala na padaria
e ficar lendo revista e gibi enquanto não chega.
vontade de te mostrar minhas músicas inacabadas
de prometer que vamos prestar atenção no filme
até o final
de sentir que sou tão sem jeito e desligada como você
de sentir a sua falta de vaidade
de só precisar falar menos de cinco minutos ao telefone
porque não gostamos disso
de ficar chateada quando fala mal do Caetano Veloso
vontade de não precisar pentear o cabelo pra te ver
vontade de te ve no próximo dia.

3 comentários:

João Paulo da Silva disse...

esse poema tem cara de cotidiano, de coisa intima. eh feito com a materia-prima com a qual os bons poemas sao feitos. seu texto consegue captar instantes de beleza que escapam aos olhos de quase todos. quase. poxa, como me vejo nesse poema.

bj

Estêvão dos Anjos disse...

muito pessoal :p

concordo com o joão boa matéria-prima para os boins poemas como esse :)

Leila Saads disse...

Cara de coisa íntima que acabou - e dói.

=*